Alta do diesel e risco de paralisação já impactam Tubarão e Imbituba, com motoristas antecipando abastecimento
A possibilidade de uma nova greve dos caminhoneiros já começa a refletir no dia a dia da população no Sul de Santa Catarina. Nesta quarta-feira (18), postos de combustíveis registraram filas em cidades como Tubarão e Imbituba, impulsionadas pelo receio de desabastecimento.
O cenário ocorre em meio à alta acumulada de 18,86% no preço do diesel desde o fim de fevereiro, o que reacendeu a insatisfação entre caminhoneiros em todo o país.
A mobilização é liderada principalmente por profissionais autônomos, com apoio da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística, além da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores e do Sindicato dos Caminhoneiros de Santos.
Segundo o presidente da Abrava, Wallace Landim, uma assembleia com representantes de diversos estados já aprovou a possibilidade de paralisação como forma de pressionar o governo federal.
A alta no preço foi intensificada após reajuste de 11,6% promovido pela Petrobras nas refinarias, ampliando os custos operacionais da categoria.
No setor empresarial, o posicionamento é diferente. A Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística no Estado de Santa Catarina informou que não participa do movimento e, até o momento, não há indicativo de paralisação por parte das transportadoras.
Ainda assim, a entidade demonstrou preocupação com os impactos da alta dos combustíveis. Segundo a federação, o transporte rodoviário responde por cerca de 65% da movimentação de cargas no Brasil, e o diesel pode representar até metade dos custos operacionais.
Diante disso, a Fetrancesc defende o reajuste imediato do frete como forma de equilibrar as contas e evitar prejuízos.
Para tentar conter os efeitos da alta, o Governo Federal do Brasil apresentou proposta para zerar temporariamente o ICMS sobre a importação do diesel.
A medida foi discutida no Conselho Nacional de Política Fazendária e prevê compensação parcial das perdas aos estados. Se adotada, terá validade até 31 de maio e pode gerar uma renúncia fiscal de até R$ 6 bilhões.
A iniciativa se soma à zeragem de tributos federais, como PIS e Cofins, já anunciada pelo governo.
O aumento recente no valor do combustível está ligado à alta do petróleo no mercado internacional, influenciada por conflitos no Oriente Médio. Como o Brasil depende de importações para parte do abastecimento, a variação externa impacta diretamente o mercado interno.
Segundo o Ministério da Fazenda, a diferença entre o preço do diesel importado e o praticado no país pode afetar o fornecimento, reforçando a necessidade de medidas emergenciais.
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