No dia em que sumiu Diego foi visto pela última vez depois de ser colocado em uma viatura da PM. Inquérito Policial Militar em curso aguarda laudo em tablet usado pelos agentes citados no caso.
A última vez que Diego foi visto, estava sendo levado por uma viatura da PM. Foto: Divulgação O desaparecimento de Diego Scott, de 39 anos, completa seis meses. Visto pela última vez sendo colocado dentro de uma viatura da Polícia Militar de Santa Catarina, o pescador foi abordado por dois policiais na esquina da rua em que morava antes de sumir. Dois inquéritos foram instaurados em diferentes órgãos do judiciário estadual: a Justiça Comum e a Justiça Militar. Enquanto isso, a família do homem vive os dias à espera de respostas.
“O que a gente sente, eu como mãe, e a gente conversa todo o dia aqui é, ‘será que ele sofreu?’ Porque morto ele está”, afirma a mãe de Scott, Maria da Graça. Na Justiça Comum, uma notícia de fato apurou o suposto crime contra a vida de Diego, e foi arquivada menos de dois meses depois, a pedido da 1ª Promotoria de Laguna. O motivo, de acordo com o MP, foi "a falta de materialidade e de indícios suficientes de autoria". Mesmo com o arquivamento, a promotora Raíza Alves Rezende citou o artigo 18 do Código Penal, que prevê a reabertura de processos quando se tiver notícia de outras provas.
Já na Justiça Militar, os soldados Eduardo Rosa de Amorim e Luiz Henrique Correa de Souza foram denunciados por prevaricação e falsidade ideológica. Segundo a 5ª Promotoria da Capital, que trata de crimes militares, os PMs, ‘’em comum acordo, inseriram declaração falsa no registro policial e omitiram informações que deveriam estar na ocorrência”. Nesse processo que tramita na Vara Militar, o promotor Alexandre Piazza, mesmo após denunciar Amorim e Correa, pediu a continuação da investigação para tentar localizar Scott.
O tablet da viatura é onde estava o GPS do veículo oficial. O equipamento, segundo relatório do setor de tecnologia da PM/SC, teve registro de georreferenciamento ao longo de todo o turno de serviço do dia 15 de janeiro, "exceto nos horários entre 16:34:47h e 17:30:43h, quando não há qualquer registro de deslocamento, restando dúvidas se o aparelho foi desligado ou apresentou falha/defeito".
Enviado pela PM/SC para um exame no Instituto Geral de Perícias (IGP) em 26 de março, o tablet mostra a localização de policiais durante o serviço. Ele é usado também para anotar ocorrências registradas nos plantões. O prazo para que se esclareça se equipamento foi desligado propositalmente ou apresentou falhas termina em 17 de agosto. Anteriormente, a Justiça Militar havia determinado que a vistoria no aparelho fosse concluída em 20 de abril. O IGP solicitou um prazo maior.