Investigação aponta organização criminosa que teria usado recursos públicos para captação ilícita nas eleições de 2024
A Polícia Civil concluiu a investigação que apura um suposto esquema de compra de votos nas eleições municipais de 2024, em Imbituba, no Sul de Santa Catarina.
Entre os seis indiciados está o vereador Ronaldo Gonçalves Júnior (MDB). De acordo com o inquérito, a apuração identificou a atuação de uma organização criminosa estruturada para fraudar contratos públicos e utilizar recursos do erário como instrumento de captação ilícita de votos.
Segundo a Polícia Civil, o grupo atuava de forma organizada, com divisão de tarefas entre dois núcleos: um empresarial e outro político-administrativo. O núcleo empresarial seria responsável pela execução das fraudes, incluindo manipulação no transporte de cargas, emissão de notas fiscais e controle logístico.
Já o núcleo político-administrativo teria atuado dentro da estrutura pública, viabilizando pagamentos e direcionando o uso dos materiais para fins eleitorais.
As investigações apontam que cargas de saibro, contratadas com dinheiro público, eram desviadas e entregues diretamente a eleitores, sem controle administrativo. Também foram identificadas notas fiscais emitidas sem a entrega efetiva do material, indicando possível fraude contratual e prejuízo aos cofres públicos.
Provas e mensagens
Entre os elementos reunidos estão mensagens extraídas de dispositivos eletrônicos e depoimentos que indicariam priorização de entregas com finalidade eleitoral.
Em um dos trechos analisados, há menção de que “no momento, a atenção é” o então candidato a vereador, sugerindo prioridade nas ações. Em outro ponto, a Polícia Civil afirma que o parlamentar teria solicitado, por áudio, o aumento no número de caminhões para intensificar a distribuição de material na reta final da campanha.
A corporação também destacou que o esquema teria se intensificado no período imediatamente anterior ao pleito de 2024, com aumento no volume de cargas desviadas e entregas direcionadas a eleitores.
Diante dos elementos, a Polícia Civil concluiu pela prática dos crimes de organização criminosa e corrupção eleitoral. O relatório final foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público.
Defesa contesta investigação
Após a divulgação do relatório, a defesa dos acusados se manifestou com críticas à condução do inquérito.
Em nota, os advogados afirmaram que houve vazamento ilegal de informações sigilosas e classificaram o episódio como grave. Também questionaram o andamento da investigação, alegando que o vereador não teria sido formalmente convocado para prestar esclarecimentos durante grande parte do processo.
A defesa ainda citou a necessidade de intervenção judicial para a conclusão das diligências e apontou possível tentativa de aliciamento de testemunhas com oferta de dinheiro para depoimentos, situação que, segundo os advogados, está sob apuração.
Outro ponto levantado é um possível conflito de interesses, ao mencionar que um suposto interessado político na vaga do vereador atuaria como servidor da própria Polícia Civil.
Por fim, a defesa afirmou confiar na análise do caso pelo Judiciário, destacando que será o momento para o exercício do contraditório e da ampla defesa.
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