Grupo usava empresas para converter valores obtidos ilegalmente, principalmente por meio do tráfico de drogas. Investigação comprovou que o grupo possuía pilotos de aeronaves que traziam diariamente dezenas de quilos de drogas do exterior.
Dinheiro foi encontrado em uma das buscas dentro de um urso de pelúcia. Foto: PC A Polícia Civil cumpre, desde a madrugada desta terça-feira (19), 1.368 ordens judiciais em 38 cidades de quatro estados contra uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro. Até a última atualização desta reportagem, 35 pessoas haviam sido presas. Das cidades de Santa Catarina, Balneário Camboriú e Tubarão estão na investigação.
De acordo com a investigação, dinheiro obtido a partir do tráfico de entorpecentes, comércio ilegal de armas de fogo, de pedras preciosas, crimes patrimoniais (roubo, furto, extorsão e estelionato) e contra a fé pública (falsificação de documentos, falsidade ideológica e adulteração de sinal identificador de veículo automotor) era "maquiado" por meio de empresas mantidas por essa facção que tem base no Rio Grande do Sul.
O delegado Mario Souza, diretor da 2ª Delegacia de Polícia da Região Metropolitana, explica que a lavagem de dinheiro, obtido principalmente com o tráfico de drogas, é feita com a aquisição de imóveis e automóveis em Porto Alegre, na Região Metropolitana da Capital, além do Litoral do RS e de Santa Catarina. Empresas eram adquiridas para "legalizar" valores obtidos ilegalmente. "O tráfico ilícito de entorpecentes é o principal gerador de lucros do grupo, o qual controla a entrada da maior parte de drogas no estado, seja por rota terrestre ou via aérea. A investigação comprovou que o grupo possuía pilotos de aeronaves que traziam diariamente dezenas de quilos de drogas do exterior", diz o delegado.
Estão entre as ordens judiciais:
Estados e cidades em que a operação ocorre:
Rio Grande do Sul
Santa Catarina
Paraná
Mato Grosso do Sul
A investigação policial
A organização criminosa começou a ser investigada no final de 2020. Na época, havia suspeita da prática do crime de lavagem de dinheiro na Região Metropolitana de Porto Alegre por uma organização criminosa que traficava drogas.
Como resultado da investigação, houve sequestro de cerca de R$ 10 milhões em bens móveis, imóveis e valores em contas bancárias do grupo que estava sediado no Vale dos Sinos. Cinco pessoas que seriam lideranças da facção foram indiciadas por envolvimento no esquema.
A Polícia Civil conseguiu mapear a organização e, ao longo de 2021, prendeu 102 pessoas suspeitas de envolvimento no esquema. Outras 207 já foram identificadas, todas com funções específicas no grupo.