Se denunciado pelo Ministério Público (MPSC), a pena poderá ser de até sete anos de prisão.
A vítima solicitou medidas protetivas contra o agressor, que foram aceitas pela Justiça. Ela embarcou para Alagoas na última sexta-feira. Foto: PC O policial militar da reserva, que aparece em um vídeo admitindo ser racista, foi indiciado pela Polícia Civil por racismo, vias de fato, injúria qualificada pelo preconceito e ameaça. O inquérito foi finalizado pelo delegado Éder Matte.
Se denunciado pelo Ministério Público (MPSC), a pena poderá ser de até sete anos de prisão , segundo o delegado. "Racismo é uma das maiores violações que se pode praticar contra alguém, pois é inadmissível querer inferiorizar alguém em razão da cor de sua pele", disse Éder Matte.
A gravação foi feita em São Ludgero, no Sul catarinense. A mulher que gravou as imagens, de 26 anos, era companheira do PM aposentado, Helio Martins, 57 anos. Além de flagrar a situação, ela foi agredida fisicamente pelo indiciado. A vítima retornou para Alagoas, seu estado de origem, escoltada pela Polícia Civil na sexta-feira passada.
A Polícia Militar informou que já se manifestou sobre o caso e aguarda o parecer jurídico da Corregedoria Geral sobre a situação. A Polícia Civil iniciou as investigações no dia 17 deste mês, após o vídeo viralizar nas redes sociais. Nas imagens, o homem aparece xingando a mulher e o filho dela por serem negros.
O policial militar da reserva disse no vídeo "teu filho é um maldito de um negro desgraçado, que é pirracento". A mulher pergunta: "por que você tem tanto ódio de gente morena?". Ele responde: "Porque eu tenho ódio, porque eu sou racista, porque eu não suporto negro! Eu tenho amigo negro, mas é amigo decente, não essa negrada do c... que é 'marrenta' que nem tu".
Após a briga, o casal se separou. A vítima afirmou para a polícia que não tinha condições financeiras para se manter na cidade catarinense e nem para retornar ao seu estado de origem, o Alagoas. Segundo o delegado, ela estava morando de favor na casa de uma pessoa conhecida.
A vítima solicitou medidas protetivas contra o agressor, que foram aceitas pela Justiça. A Assistência Social do Município de São Ludgero, providenciou o suporte para que a vítima retornasse para Alagoas. Ela embarcou para seu destino na sexta-feira (24) e está na casa de parentes, segundo a polícia.
Após o depoimento das testemunhas e dos envolvidos na situação, a polícia verificou que a vítima estava há cerca de 15 dias morando com o indiciado em São Ludgero. A mulher havia vindo junto com o filho, de quatro anos, em agosto de 2021 para a cidade catarinense. Ela faria uma visita para o suspeito.
"Ela relatou que resolveu fazer o vídeo pois seu companheiro estaria muito violento naquela data. Referiu que um dia antes da gravação teria sido agredida com um chinelo e teria levado um tapa", informou a Polícia Civil.
Em 2011, o Ministério Público de Santa Catarina denunciou Hélio Martins pelo crime de ameaça em ambiente familiar, mas ele foi absolvido.