Foram 15h de julgamento até a sentença na sessão do Tribunal do Júri da Comarca da cidade.
Quatro integrantes de uma facção criminosa foram condenados pela execução de Anderson Luís Barroso, 24 anos, e Willian Strunck Braz, 23 anos, ocorrida em 2020 na Praia do Sol em Laguna. Foram 15h de julgamento até a sentença na sessão do Tribunal do Júri da Comarca de Laguna.
As penas de três dos réus – que já haviam sido condenados anteriormente em primeiro grau por integrar organização criminosa – foram de 24 anos de reclusão em regime inicial fechado. O quarto réu teve uma pena maior, de 37 anos e 10 meses de reclusão, por ele ter sido sentenciado neste julgamento, também, por organização criminosa com pena agravada por ter atuado como “disciplina” do grupo criminoso, que envolve menores de idade e usa armas de fogo nas atividades.
Para a Promotora de Justiça Raíza Alves Rezende, a condenação dos réus nos termos apresentados pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), significa que a sociedade, representada pelos jurados no Conselho de Sentença, “teve coragem necessária para fazer a justiça; a punição mostrou que não será aceita a violência praticada contra quem for. Toda vida tem valor e deve ser defendida no Tribunal do Júri, espaço democrático, que rejeita a vingança empregada no mundo do crime”.
Ainda cabe recurso da defesa dos condenados ao Tribunal de Justiça de Santa Catarina. A sentença foi proferida na madrugada desta quinta-feira, dia 10.
O crime
Os corpos de Anderson Luís Barroso e Willian Strunck Braz foram encontrados em um Renault Clio abandonado, fora da pista, de uma estrada marginal à principal via de acesso a Praia do Sol. As vítimas eram naturais de Portão (RS).
De acordo com a denúncia do MP, os quatro condenados tiveram participação na execução a tiros das vítimas. As investigações da Polícia Civil comprovaram que Anderson e Willian foram “condenados à morte” pela facção criminosa, porque integrariam um outro grupo, simpatizante da organização rival a dos réus.
Um dos condenados desempenhava a função de “disciplina geral de Laguna”, na facção criminosa, e forneceu a arma de fogo para os homicídios, inclusive delegou a entrega a um adolescente. Essas circunstâncias levaram ao agravamento da pena dele pelo crime de participação em organização criminosa, já que ele ocupava uma posição de comando, usou de arma de fogo para a prática de crimes e envolveu um menor de idade na ação criminosa.
Emboscada
Anderson e Willian, de acordo com o MP, costumavam comprar drogas de um dos condenados desde que vieram do Rio Grande do Sul no ano anterior para morar em Tubarão. Com a desculpa de que não teria mais drogas, o condenado marcou um ‘encontro’ dos dois com outro traficante na Praia do Sol.
Quando as vítimas chegaram no local era uma emboscada. Anderson e William foram executadas com diversos disparos de arma de fogo.
As circunstâncias em que os assassinatos foram praticados levaram o Ministério Público a denunciar os acusados por dois homicídios duplamente qualificados: por meio de emboscada e por motivo torpe, a rivalidade entre as organizações criminosas.